Tormentos de febre terçã, sono atribulado. Eu me revirava na
cama como quem busca encontrar ao lado a água que mataria toda sede do mundo. Ela
não estava ali.
Me lembrei de noite dessas, quando ainda presente ela veio
me visitar. Me abraçou a alma devagar, o corpo não, no corpo ela deixou marcas
permanentes.
Me olhou nos olhos como quem devora a alma e me fez a
desejar. Eu era libido e paixão, eu só queria descasar nos seios dela, quando exausto
do corpo pudesse ouvir o coração. Não me venha com intenções vagas, mulher! Eu caminhei
até aqui, vidas após vidas, atravessei continentes. Eu encontrei o centro da terra
dentro de ti, e ele era quente feito vulcão!
Você não sabe tudo o que eu atravessei para que pudesse
finalmente te alcançar!
Os ditos tão exagerados desse poeta não conseguem descrever
o que sente, quando te tem aqui. E quando perguntado qual a diferença desse para
outros sentimentos, ele estonteado, quase que perplexo não sabe explicar e
define que “é diferente”. Como se tudo o que viveu antes, fossem só o caminho
que precisava percorrer para chegar até aqui.
Olha só, o sol ainda nem nasceu, e é por isso que com o
coração em mãos eu venho te buscar. Você não precisa temer o meu coração!
Sangue, suor e o edredom. Tormentos de febre terçã, sono
atribulado!
Eu sonhei com você. Mas a chuva tão forte me fez acordar!
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