terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Palavras e mais nada.

Não haviam razões para esperar o melhor, mesmo assim ele se levantou, vestiu-se, e se olhou no espelho. Aquele sorriso era só fachada para o que ele tinha por dentro.
Ele estava todo bagunçado naquela tarde de terça-feira, dia banal, traços trêmulos na folha de papel branca. Nada demais.
As noites eram frias enquanto os dias eram infernais, quentes e dolorosos. A dor nas noites frias eram mais suportáveis, ainda mais nos braços dela que acalmava todas todos os devaneios que passavam pela sua cabeça. Sonhos sangrentos, tempestades, pés descalços em plena segunda de madrugada. Nada mais poderia o assustar, ele já estava extremamente assustado.
Não era atoa. Ele era o menino complexo, estudioso das leis e amante dos poemas, mas vivia mais nos poemas que nas leis. Isso explica porque ele era tão sensível e tão pouco prático. Ou talvez isso fosse só seu ascendente em peixes. Depende no que você acredita.
Não havia lugar confortável pra ele, ele parecia sempre estar de partida. Malas prontas na porta, suéter e cachecol, como naqueles filmes onde o protagonista sempre parte e deixa todos partidos. Ele era partida e lágrima, ele mesmo era o caodjuvante e o personagem principal.
Não tinha muito que poderia ensinar, aqueles olhos aparentemente calmos não mostravam a metade das complexidades que ele guardava, na gaveta de canto, ao lado da escrivaninha em L, naquele quarto onde ele se criou, sonhou, chorou e amou.
Mesmo distante ele guardava pra si o que de mais intenso havia, não sabia ser amenidade, não sabia simplesmente deixar pra lá.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Sobre o líbido.

Sorrateiro me conduzi até meu hábitat. Fechei os olhos e senti em mim toda a intensidade dos meus pensamentos mais comuns. Promíscuo eu não me contive e pensei em tudo aquilo que me preenchia as vontades. Vulgar, ordinário, intensamente canal.
Falei sobre sonhos e amores, paixões repentinas e outras coisas bonitas. Mas dentro do mim era sangue quente perturbando a velocidade dos pensamentos.
Aquela vontade de te ter do jeito mais pecaminoso - se é que existe pecado nisso- era fluente, fluia no meu corpo como aquele sangue que acabava por arder.
Não me diga que não se lembra do meu corpo pesando sobre o teu noite dessas, aliás, já faz tempo.
Eu sou tão franco nas coisas que digo, e entre elas me prender entre suas coxas seria a mais conveniente nessa noite chuvosa. Embora te queira eu não misturo mais tesão e paixão. Não tenha medo, eu sou um pouco estranho mesmo. Eu não me arrependo do que faço ou digo, por mais errado que pareça.
Entre outras coisas a tua pele me instiga coisas que embora inimagináveis eu posso imaginar, mesmo que não consiga descrever.
Não é no teu sonho que às vezes quero morar, mas sim no teu tesão, no teu prazer, na tua ânsia por mais. É no teu seio que eu desejo estar embora ofereça o coração. Eu não preciso ter os dois!
Ora, não me confunda as coisas, bela moça! Eu ainda sou o mesmo de sempre, que te deseja do jeito mais "sujo" e libidinoso. Eu não andei trocando meu jeito de ser por ter me encantado contigo. Cada coisa em seu lugar.
Olhe só, hoje choveu o dia todo e eu fiquei em casa, rolando meu corpo na cama no desejo de uma hora, como mágica encontrar o teu. Quente, nú, a minha disposição. Pra judiar do meu jeito. Aquele que você não nega gostar.
E por isso que, em vez de dormir eu penso em ti, eu acabo por te despir com pressa, te trazer pra mim com força, te devorar sem cuidado algum. Aqui na minha imaginação você é dessas mulheres que deixam marcas no corpo e no desejo da gente.
Sobre o coração, sobre ele eu falo em algum dia de sol. Ou sei lá, se você preferir eu nem falo.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Do lado de dentro.

Eu não me importo, na verdade tanto faz quantos cigarros eu acendi pra poder enfrentar o dia. O café que em vez de me concentrar acabou por me deixar ainda mais agitado. As drogas licitas que me socorrem, o peso no peito, aquela história antiga que ainda me afeta.
Na verdade tanto faz se eu sou aquilo que desejei ou se me perdi pelo caminho, eu sempre me perco de alguma maneira, eu me atrapalho, eu tropeço e sangro, eu acabo por me curar de alguma forma. Eu sou um sobrevivente!
As coisas que não vingaram, a vontade de ir embora, de ir adiante. De ir, a qualquer lugar.
Feche os olhos, imagine que tudo o que você quer pode ser possível. Nesse momento tudo o que você imagina acontece, independente do livre arbítrio das pessoas, de suas vontades, de seus medos e frustrações. Só você tem livre arbítrio agora! Não seria cansativo, banal, inútil?
Nada mais importa quando você percebe que o silêncio é mais amedrontante que o próprio caus em si. Você é barco e não cais. Você vai pra onde o vento leva e não pra onde sempre esteve. Mesmo que não queira você vai adiante.
Sangrei por horas trancado na imensidão de ditos meus, e não morri. Eu me levantei, acendi mais um cigarro e fiquei observando o tempo se abrir lá fora.
Fez um lindo dia hoje, mas eu não saí pra ver sol. É que, fazia muito barulho aqui dentro.


Aquele dos dias.

Provei a mim mesmo que era capaz. Abracei meus medos e caminhei por horas. Eu tinha no peito um aperto estranho, mas eu tinha aprendido a me conter.
Andava meio de lado, com o olhar fixo em alguma coisa, que eu não me lembro bem o que era. Na verdade eu estava olhando pra dentro de mim.
Eu ando cansado dessas coisas, do desgaste que essas tempestades trazem. Eu ando meio cansado dessa gente superficial, dessas coisas que me incluem na superficialidade delas. Eu sou só um menino, sorriso claro, coração limpo. Eu não consigo odiar ninguém, inclusive.
Aquelas mulheres, meu caro, não me preenchem em nada. Nem na vontade, nem no momento. Até isso já passou.
Entre as coisas que já passaram, é importante frisar que esse aperto no peito, que não chega a ser doloroso não é o amor, nem falta dele. Esse aperto é só algo me dizendo que seria melhor se ele carregasse algo bonito, e melhor, seria melhor se ele tivesse algo bonito, grande, limpo. É só algo que diz que não interessa, se ele já teve medo, não tem mais. Mas ele tem outras coragens agora.
Olhe só, menina, eu sou aquele dos dias frios, o sossego da tarde turbulenta. A tubulação da segunda-feira. Eu sei fazer bagunça e acalmar o seu coração. É só você querer!

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Tocar.

Não me leve tão assim, a sério! Nem eu me levaria, eu tenho andado meio trôpego, mas ainda sei sonhar! Eu durmo pouco, falo pouco quando acordo, falo demais quando bebo. E eu tenho bebido demais!
É que dentro dessa imensidão vazia dos meus dias, tudo parece meio alheio.
Eu ando meio alheio, com a cara no travesseiro perdido em pensamentos vãos. Não incomode meu silêncio com lamúrias. Mas me dê o prazer de sua companhia. Eu ainda gosto dela.
Entre as coisas que eu sei que ainda gosto, talvez, saber que posso tocar o intocável com meus pensamentos, fazer um mundo perfeito nos meus sonhos ainda seja meu passatempo favorito.
Cê nem sabe o que eu penso quando fecho os olhos no fim de mais um dia comum.
Eu poderia gastar todo meu tempo com teorias úteis. Extraterritorialidade, lei penal no tempo, crimes e suas penas.
Mas eu tenho inventado meu próprio crime.
Eu poderia ler inúmeras páginas de filosofia, antropologia, sociologia. Mas eu ando me concentrando em teorizar meu próprio mundo, uma espécie de universo paralelo. Verso e proza. Até falo sozinho às vezes.
Eu sou o mesmo escrevedor de sempre, cara de sono, manias esquisitas!
Não que eu seja um sociopata, eu só não gosto de muita gente, barulho e desordem demasiadamente confusos. Eu só gosto de algumas pessoas. Saber o nome delas, observar o que me faz suportar o enorme peso de conviver com histórias diferentes da minha e ainda me interessar por elas.
A quebra do meu silêncio me custa caro, e se eu deixo algumas pessoas o quebrarem algum motivo deve ter. Talvez somente empatia.
Olhe só, moça! O dia nasceu novamente e embora você não saiba, eu te deixaria quebrar o meu silêncio e também outras coisas que eu prezo demais. Mesmo que entre elas também esteja incluso o coração, que ocasionalmente pode ser por ti quebrado, sem medo. Você me faz ter uma coragem irracional!
Eu vivo aqui, entre meus pensamentos e poesias, o violão e alguma teoria vaga, cheia de camadas e vazios. Mas eu ainda me sinto bem com elas.
Dentro de mim nada é simples, eu sou o menino questionador que você não conhece por inteiro. Corajoso, insano, meticuloso.
Eu ainda consigo escrever coisas doces depois de mastigar a realidade nua. Eu ainda sei luz quando penso em ti.
Talvez eu não seja o melhor dos poetas, mas aquilo que escrevo é meu, é verdadeiro, é como uma janela que se abre pra dentro da minha alma. Mas, se queres visitar esse meu mundo, és a convidada mais esperada.
Eu te mostro no caminho os motivos de tantos quadros coloridos na minha sala de estar, de tantos desenhos coloridos, nas paredes do meu corpo. Que também é teu.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

E talvez você nem saiba.

Eu não diria ser tão certo, nem tão errado. Eu apenas sinto, sinto e não exijo nada de volta. Sentir não exige reciprocidade, viver aquilo que se sente exige. E não é disso que venho falar.
Te escrevo essas linhas, menina,  sem saber ao certo se lerás.
Queria falar de coisas simples, de como quando por exemplo você sorri. Eu me desmantelo todo quando você sorri. Eu me intimido todo quando você me olha -diretamente ou por cima dos óculos-. A gente mal convive e eu sei de mil minucias suas. Sei de quando ignora fatos notórios pra não pensar neles, sei que acha que se não pensar você pode fingir que não existe.
Eu sei que auto afirma certas coisas pra convencer a si mesma de mil bobagens. Sei que alimenta suas próprias dores trancada nas paredes escuras da sua própria mente pra não saber exatamente quem é. Sei também que saber quem é, é seu maior medo.
Sei que é visceral mas que tenta se conter, mas aí se mistura a um tédio casual que não é teu. Você é tempestade, furacão, desordem e não calmaria. Você se ilude em um jogo de egos. E o pior, é melhor e mais bonita que imagina. E como é bonita!
A tua beleza exótica e comum ao mesmo tempo se mistura dentro da mulher/menina que atravessa a sala com passos firmes. E no fim da tarde chora perdida pelos fardos que carrega. Eu só queria carregá-los contigo, ser o teu esteio, teu pilar mais desinteressado.
Pois é, eu não quero nada em troca, menina! Só esse sorriso ali, na minha zona de visão.
Talvez eu queira mais, mas nada disso tem obrigação de ocorrer.
Dentre outras coisas eu sei que você duvida da sua própria força, da tua própria dádiva de ser luz. Você apaga as luzes por medo de ver o que te circunda.
Você ama, sorri, odeia e chora numa mesma oração. Você escapa e se mantém em si mesma porque a tua maturidade  intelectual se perde na desordem dos teus pensamentos e sentimentos.
Você nem sabe, mas embora eu não seja o teu amor, eu sou, com as coisas mais bonitas que existem dentro de mim o teu amigo mais fiel. É a minha forma mais doce de ser teu. Embora você fuja às vezes, eu estou ao seu lado, afim de que quando pense em anjos eu possa ser algo promiscuo e vulgar mas, o mais próximo de um que você possa ter.
Eu só queria que soubesse que eu estou logo ali, na próxima esquina, do outro lado da tela, da linha, mas do mesmo lado da corda que você, puxando pra ti tudo o que  de mais bonito existe. Eu te envio essas energias, espero que elas cheguem vez ou
outra.
Não se assuste comigo, eu sou só o teu mais fiel amigo, que de longe sente por ti algo maior. Eu não sou outro garoto, eu não preciso aprender sobre ter, possuir, manter. Eu só preciso saber que são seus esses meus ditos mais doces e torcer para que teu coração ande leve, visualizar de perto ou longe e sorrir contigo esse teu sorriso, de onde quer que eu o veja.
E esse sorriso! Ah, esse teu sorriso é o que me cativa, não deixe que nada o apague. Daqui de onde te observo ele é o que recompensa as energias bonitas que te emano, de peito escancarado. Cuide bem dele, ele é o que ilumina a sala toda quando de repente falta luz.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Proetizar, poematizar, problematizar.

Não há parâmetros para sistematizar a alma do poeta. Palavras exatas, quantidades, atitudes. É tudo tão problematizado, até quando não existem problemas.
Dentre suas coisas favoritas, sentir é seu maior vício, quando não sente inventa sentimentos, quando sente demais tenta neutralizá-los só pra provar a si mesmo que é seu próprio senhor.
O sorriso corriqueiro vez ou outra não é tão real, as palavras ditas no fim do dia nem sempre tão medidas. Desmedido o escrevedor faz da sua própria existência um tanto conturbada, por tudo aquilo que inventa ou que sente. Não faz sentido se ele não fizer assim.
Caminha no fim da tarde em algum lugar onde sabe, não vai encontrar o que procura, mas precisa provar a si mesmo o quão firmes ainda são seus passos e que eles o levarão a algum lugar - mesmo que seja pra dentro de si mesmo - no fundo é bem o que ele quer. Faz de sua vida o drama que não conseguiu escrever.
Seus amigos não entendem a necessidade de sua solidão, seus amores não entendem o propósito de todos os seus exageros gramaticais, as palavras ditas em demasia como em uma poema forte, o choro incontido, a verdade exposta nos olhos. Talvez por isso nenhum amor fique.
Complexo não conhece amores normais, corriqueiros, de dia a dia. Sempre são contos breves cheios daquilo que ele chama de poesia. A poesia quando demais também não garante que será feliz aquele amor, senão seria ele o menos solitário dos escrevedores.
Impressível se desfez de amores que poderiam ter sido eternos, se apegou ao que não tinha futuro, só pela intensidade, só pelo sentir.
Não venha me falar dos erros nas minhas escritas, elas não tem erros, são exatamente o que eu sinto. E é por isso que fim de tarde, prefiro eu as minhas palavras que o estudo da língua, as doutrinas os saberes.
Já me cansei do copo meio cheio, meio vazio, meio insensato. Na verdade não importam mais essas discussões. Escrevo a fim de que de minhas linhas eu invente um outro amor. só pra preencher o peito, mesmo que não preencha os braços.
Vai ver não é a lógica o seu maior forte, vai ver seja só o sentir mesmo. Sentir e escrever, escrever e chorar seus escritos, lavar a alma, botar pra fora, ser dono de si mesmo.