sábado, 13 de julho de 2013

Last dance.





Eu me sentei no canto daquela imensa sala, eu era o mesmo menino errante de sempre, desastrado, incontido, mas de bom coração. Tinha um sorriso quase que caricato, que aparecia cheio de luz vez ou outra, mas que se estampava mesmo quando triste. Era ele o meu melhor amigo, o meu sorriso.
Ela atravessou a sala, tão bela, me abriu um sorriso (sempre me encantei por sorrisos). Eu retribui, quis ser dela, quis ser o mundo dela. Me levantei e a peguei pela mão, ela não hesitou em segurar minha mão, perguntar pelo meu nome, perguntar quais eram meus sonhos. A principio apenas sorri, eu era o menino dela, não precisava contar meus sonhos, ela os conhecia desde que me mirou no canto da sala.
Nós dançamos como bons amantes por todas aquelas noites, bons amantes, namorados, quase que uma mesma alma, talvez almas interligadas por uma estranha força, força esta regada de amor.
Aos poucos ela já não deitava no meu peito durante a dança, já não colocava os pés juntos dos meus, ela dançava alguma outra dança que eu não sei dançar e aos poucos eu me vi obrigado a ir soltando seus dedos, um após o outro enquanto algo de mim implorava para que ela ficasse. Éramos diferentes, talvez eu fosse o menino acostumado com aquela dança calma, talvez isso fosse tedioso demais pra ela.
Eu procurava por um porto, um lar, pés com pés. Alguém que eu pudesse ligar a qualquer hora encolhido do canto do sofá e dizer: Fala comigo? A noite toda? Eu estou com medo! Eu procurava por alguém que me ligasse pra contar o quanto era grande a fila do caixa do supermercado e os quilômetros de transito que via pela frente enquanto retocava a maquiagem no retrovisor, alguém que não dividisse a cama, mas sim os segundos, alguém que nunca me deixasse , alguém pra eu nunca deixar. Alguém que pudesse ir onde quisesse e voltar pros meus braços mas que nunca me abandonasse quando eu sentisse medo, frio, e tristeza. Somente alguém que se importasse.
Ela me concedeu a mais bela dança,  os mais belos sorrisos, mas ainda tinha o seu solo, ainda dançaria sem mim, eu ainda esperaria por ela no fim de outras tardes fingindo que não. Eu ainda queria que fosse ela meu porto, ainda que negasse, eu negaria, eu sei que ainda hei de negar. Não deixará de ser amor, ainda que eu parta e te deixe a dançar, dançar sem mim esta última dança.

3 comentários:

  1. Você se vai, mas ainda serei tua, você querendo ou não, o amor não se vai assim...Te amei, te amo e te amarei sempre e pra sempre!

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