Já faz um tempo que meu coração caminhava sem beira, procurando um precipício qualquer. Esse poeta não se assustava, era normal que elas partissem e o deixassem partido. Então, inventava paixões para não morrer frio, antes que o dia acabasse, antes da dose se esvair no gelo que ele nem pediu.
O dia era escuro, ele gostava de dias cinzas, negros jamais!
Sabia que se tomasse um pouco mais do veneno estaria perto de onde queria estar, então não se privava nos prazeres momentâneos , do sussurro da carne e dos gritos do purgatório onde caminhava. Eram dias de febre terçã, o resto do vinho na taça. Os cacos de vidro no chão.
Mas aí, meio perdido entre pensamentos rápidos os olhos dela ( antes conhecida pelo nome) cruzaram com os seus, fim de dia. Fim de ano, pra ele talvez até fim de vida. E ele passou a lhe falar sobre tantas coisas. Sobre o tédio, o medo, o caos e outras coisas profundas.
O abraço dela tinha um cheiro de paz misturada ao medo, o medo de perde-la após tanto caminho para encontra-la. Ele buscaria o mundo todo e daria a ela de presente numa tarde de terça -feira. No final de qualquer dia banal.
Ela mal sabia quantos planos eles fez em semanas. Planejou mudar o mundo todo e fazer tudo o que não fez. Para que fossem dele os sonhos dela.
Ele queria morar no peito e entre as coxas dela, queria morar feito menino no lugar seguro dos seus olhos tão cheios de cor. Lhe dar a liberdade de ser quem era, queria lhe dar a certeza do maior sentimento. Queria ser pra ela dia de sol e intensidade, tudo ao mesmo tempo. Feito vendaval em meio a uma brisa qualquer. Feito a brisa que dissolve qualquer vendaval.
Eu tenho pra ti um par de sonhos e mais um zilhão de possibilidades. Você vem?
Nenhum comentário:
Postar um comentário