quinta-feira, 27 de agosto de 2026

A dança.

 

Dentre um milhão de incertezas, o poeta se debruçou sobre os poemas que nunca leu, sobre um amor que nunca teve. Sentiu no ar um cheiro doce, se lembrou do cheiro do café, ainda de manhã esticou os braços, se sentou despenteado na cama e desejou que ela estivesse ao seu lado.

Quantos amores mais mereceram dele tanta saudade? Quantos passos mais ele precisaria dar para atravessar a sala, olhá-la nos olhos e a chamar para dançar? Ela enfim aceitaria?

Não são dela somente essas palavras, eram dela todos os poemas que ele antes escrevera, antes mesmo de a conhecer.

A menina mulher o olhava nos olhos com tanto medo, medo de se jogar do décimo andar e se estabacar. Mas sabe, menina. O amor é um risco.

Ele também tinha as sombras dele. Mas para ela ele queria os dias de sol, mãos dadas no final de uma tarde qualquer. Tarde calma em frente ao mar, tarde chuvosa embaixo dos cobertores. Para ela estava guardado só o que de mais bonito ele aprendeu a escrever, dizer, fazer e amar. Eram dela os poemas mais doces, o toque sutil, o amor e a libido. Ele era o menino intenso “escrevedor”, ela era tudo o que ele mais queria.

Noite dessas, caminhando entre os meus sentimentos mais claros, eu te encontrei. Sabia? Eu te encontrei! Você atravessava o meu caminho numa noite qualquer. Olhos de mulher, sorriso de menina. Eu te peguei pelas mãos e te chamei para dançar. Coloquei teu corpo rente ao meu, pele com pele e dancei em você devagar, enquanto você sussurrava alguma coisa em meu ouvido, eu não me lembro exatamente o que, mas era tão bom!

Eu tenho pra ti um par de promessas, daquelas que eu sei que vou cumprir, e por isso tão poucas. Eu cuidarei de ti e do teu amor! Eu cuidarei de ti inteira!

Dentre um milhão de incertezas, eu te chamei para dançar uma canção feita sobre um amor. Sobre um amor que eu nunca tive, mas que ansiava por ter.

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