segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Agosto

 

E todos os oceanos já haviam sido atravessados. Mas atravessado estava eu, com o nó na garganta de não ouvido, ser ainda engasgado aos ditos e vontades alheias. Eu era escravo da minha própria história, como jamais fora.

Eu só queria pra ti um dia de sol, menina. Eu só queria ser pra ti um dia de sol!

Escute, eu sou o menino errante carnal, cheio de vontades. Eu tenho ali na minha caixinha das dificuldades mil e um defeitos, nenhum deles é algum que me atribuíram essas malditas línguas que tanto escuta. Eu só queria a leveza de conversa boba, fim de tarde. Um amor e dois dedos de prosa. Eu sou tanta coisa que nem sabes, mas escute-me. Tem te faltado me escutar!!!

Tarde dessas agarrado aos livros das recordações, me lembrei de ti em uma noite dessas, quando essa tempestade ainda não caia. Me lembrei do teu sorriso leve, do teu abraço quente, pele rente a pele. Uma vez na vida eu me senti o teu amor. Essa lembrança ainda carrego comigo, grudada, feito tatuagem que eu jamais apagaria.

Manhã dessas agarrado as minhas maiores lamentações eu quis ser novamente o teu amor, mas me grudei aos deslizes do tempo, das escolhas mal feitas que tivemos. A gente poderia ter a chance de acertar de verdade depois de tanto errar? A gente poderia!

Eu era o menino sempre capaz de amar mais e mais, que atravessava oceanos, que ia a passos largos ao teu encontro onde quer que fosse. Mas você um dia ainda vai me escutar?

Talvez me escutando descobrisse que nem queria mesmo ser o meu amor, meninas tão meninas, embora neguem, gostam de amores atribulados, histórias erradas e difíceis. E eu. Eu na verdade sou um amor tão fácil, tão claro.

Você sempre disse aos quatro cantos o quanto me achava difícil, será que me amaria quando descobrisse que eu sou amor de terra? Que eu sou tão sólido e seguro? Será que me amaria se me escutasse? Ei!! Você pode me ouvir?

Hoje a noite esteve fria, e eu me mantive aqui, no canto dos meus pensamentos. Eu me lembrei de ti com grande docilidade, mas me lembrei de quem eu sou. Eu me lembrei, hoje, noite de agosto. Presságios de solidão misturada a dor, mas eu estava acompanhado de mim, que a tanto tempo não via. Será que me amaria? Será que amaria os pés que voltam a tocar o chão? Será que abriria as portas e não fugiria pelas janelas? Será que você sabe viver o amor que não faz do calor tempestade?

Todos os oceanos já haviam sido atravessados, eu não tinha um navio. Eu remei até aqui.

E de corpo e coração quente eu pergunto: “Será que pode me ouvir?!”

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